Sexta, 14 de Maio de 2021
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Bernardo de Assis, o Catatau de “Salve-se quem Puder”, fala da novela e sua trajetória

Com 26 anos, o ator Bernardo de Assis é um dos destaques de “Salve-se Quem Puder”, novela das 19h da Globo. Nela ele vive o office boy Catatau, que é apaixonado por Renatinha (Juliana Alves).

04/05/2021 09h31 Atualizada há 1 semana
Por: Miquel Souzza Fonte: Assessoria de Comunicação.
Reprodução / Imprensa.
Reprodução / Imprensa.

Com 26 anos, o ator Bernardo de Assis é um dos destaques de “Salve-se Quem Puder”, novela das 19h da Globo. Nela ele vive o office boy Catatau, que é apaixonado por Renatinha (Juliana Alves).

 

- Juliana é uma atriz incrível e trocamos bastante em relação aos nossos personagens dentro e fora de cena. Esse clima de parceria é visto no vídeo – ressalta o ator.

 

O mais interessante é ver que o personagem, assim como Bernardo, é um homem trans.

 

- Estar em uma novela em rede nacional faz com que corpos trans sejam vistos e naturalizados na televisão. Isso é uma abertura de portas e uma desconstrução de pré-conceitos – diz.

 

Bernardo fala sobre a recepção do público, que é sempre de muito carinho.  

 

- As pessoas acham o Catatau divertido, leve. E agora com esse retorno da novela ao ar, o telespectador poderá conhecê-lo ainda mais e acompanhar todos os seus esforços para conquistar Renatinha – completa.  

 

O ator é carioca, nascido no bairro de Inhaúma, zona norte do Rio.

 

- Nasci no bairro de Inhaúma, Rio de Janeiro, onde cresci e passei 20 anos da minha vida. Por enquanto não tenho um endereço meu, e por isso vou ficando por onde os trabalhos surgem – completa.

 

Ainda sobre o seu trabalho na novela, ele fala sobre como foi voltar a gravar a trama no segundo semestre do ano passado.

 

- Foi um período de adaptações e desafios, ao mesmo tempo que foi muito bom poder voltar a gravar e rever as pessoas. A saudade da rotina de trabalho estava enorme e agora é hora de acompanhar o resultado na telinha – destaca.

O ator começou muito cedo sua trajetória no mundo das artes. Com apenas cinco anos, já dava os seus primeiros passos.

 

- Eu sabia que seria ator a partir do momento em que fui ao teatro pela primeira vez, em um passeio escolar. Ao sair da peça, perguntei quem eram aquelas pessoas à professora, que me respondeu: "eles eram atores". Depois disso, disse aos meus pais que queria ser "atores" e comecei a fazer teatro. Nunca mais saí – diz Bernardo.  

 

Após essa primeira experiência, ele tratou de começar a estudar.

 

- Faço teatro desde os meus seis anos de idade entre cursos livres, técnicos, etc. Aos 14 anos, entrei no Curso Profissionalizante de Atores da CAL e, aos 16, ingressei na Faculdade de Artes Cênicas – lembra ele.

 

A arte foi de extrema importância na vida do ator, já que foi nos palcos que ele identificou sua transexualidade, durante o processo criativo do espetáculo BIRD.

 

- A diretora e dramaturga Livs Ataíde me convidou para participar do espetáculo que seria sua formatura na UFRJ. À princípio, ela montaria "Agreste", mas decidiu criar a própria dramaturgia a partir de experiências pessoais e exercícios feitos em sala de ensaio. Desde o início, a única coisa que sabíamos sobre BIRD era que teria uma personagem chamada Maria Elisa: uma menina de 14 anos que em um belo dia acordava de barba. Conforme Livs ia escrevendo as cenas e nos apresentando, eu sentia alguns incômodos e comecei a olhar mais para mim. Percebi que tinha muita coisa em comum com Maria Elisa e, à medida que a personagem ia crescendo, eu ia crescendo junto e me fortalecendo enquanto homem. Na estreia, eu já era Bernardo – explica o ator.

 

Bernardo fala ainda sobre o processo de transição durante a sua vida.

 

- Desde muito jovem, eu já tinha a consciência de que não era mulher, mas a falta de referências me fazia desconhecer o termo "homem trans" até meus 15 anos, quando soube da história de João W. Nery. Foram anos de medo e insegurança. Mas, assim que descobri o meu verdadeiro eu, tudo se encaixou. Hoje sou bem mais forte e feliz – comemora.

 

Além do teatro, o ator também tem outros projetos, como o seu primeiro curta, ‘Bhoreal’.

 

- Em 2020 dirigi meu primeiro curta, "Bhoreal", que teve sua estreia em um festival com a Mídia Ninja, passando pelo Festival de Cinema de Vitória e pelo Festival For Rainbow. É um documentário sobre a Drag Queen Gervásia Bhoreal, que durante a pandemia fez alguns projetos sociais com moradores de rua de São Paulo. Esse curta nasceu como um exercício do curso Audiotransvisual: uma iniciativa do cineasta André da Costa Pinto, que ofereceu uma formação online e gratuita a 30 alunos trans durante o período de isolamento social – completa.

 

Além de ‘Bhoreal’, Bernardo tem mais um documentário ficcional chamado ‘Filho Homem’, onde aborda as diferenças e as proximidades entre dois irmãos – um criado para ser homem e outro para ser mulher.

 

- Eu produzi essa esquete durante a pandemia e o trabalho foi convidado para a ‘Mostra Todos os Gêneros’, que abordou as masculinidades, posteriormente passou pelo ‘Festival Arte como Respiro’, e por último foi selecionado para o ‘Festival Esqueterê’, realizado no final de março. Ainda não tenho data de lançamento, espero que em breve tenha essa notícia (rs) – complementa Bernardo.

 

Além da novela “Salve-se Quem Puder”, quem curte o trabalho do ator pode vê-lo no seriado ‘Transviar’, da Eparrêi Filmes, na TV Cultura, que ele protagoniza, nas séries “Nós” e “Noturnos”, ambas foram exibidas no Canal Brasil (e agora estão nos streamings do Globoplay e Canais Globo), além de ‘Todxs Nós’, produção da HBO, dirigida por Vera Egito e Daniel Ribeiro. Todas lançadas em 2020.

 

- O que venho conquistando aos poucos é fruto de anos de estudo e dedicação ao ofício de ator. Mas, com a transição, achei que isso não fosse possível, já que a nossa sociedade ainda tem uma grande dificuldade em enxergar existências trans. Então, fico muito feliz e realizado quando as oportunidades aparecem e por isso, as agarro com toda força e amor do mundo. Tento honrar cada porta que se abre, para que futuramente outras pessoas possam também estar nesses espaços – finaliza.

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